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  • Simone Fuzaro

Sobre celebrar a infância

Que grande oportunidade temos pela frente neste mês que se inicia! Temos um dia para celebrar a infância, esse período tão especial e importante da vida pelo qual todos nós passamos e do qual trazemos muitas lembranças!

O que é ser criança?

Palavra vinda do latim creantia, que designa um ser humano no início de seu desenvolvimento. Pequeno, frágil, aberto, sedento de cuidados e afetos, de aprendizagem e direção. Pessoa que precisa do outro para viver, aprender, vir a ser autônoma e capaz de grandes realizações, para chegar ao máximo do seu potencial. Ser criança é agir no mundo conforme esse início de desenvolvimento permite: brincando, cantando, dançando, experimentando, teimando, falando, explorando, correndo, tentando, conhecendo, aprendendo e agindo de modo imaturo.

Para podermos celebrar a infância, precisamos cuidar dela. Precisamos permitir que as crianças sejam crianças, assumindo nosso papel de adultos e responsáveis. Precisamos nos relacionar com elas na diferença – somos adultos, sabemos mais e melhor, conhecemos o que é bom para elas. Estamos capacitados a fazer as escolhas e determinações que serão importantes para que cresçam saudáveis, para que se desenvolvam bem. 

Elas têm o direito de ser crianças e não “miniaturas” – pessoas que já escolhem, que determinam o que comer, onde comer, o que vestir, como agir... Precisam ser cuidadas – cuidar pressupõe proteger, e a maior proteção é aquela que fortalece, que capacita, que é semente de autoproteção. Precisamos assumir o papel daquele que oferece limites, que permite frustrações e que dá suporte para enfrentá-los. Daquele que dá o que elas precisam e não o que querem. 

Pensar na criança pressupõe pensar no adulto. Adulto, por definição, é aquele que alcançou o máximo de seu crescimento, de suas funções biológicas; mais do que isso, ser adulto pressupõe ser maduro, ou seja, estar mais preparado para a vida e suas circunstâncias, lidar com fortaleza, resiliência, otimismo, coragem, compreensão, responsabilidade, aceitação e humildade com as mais diferentes situações que aparecem no cotidiano.

Deste lugar de adultos, de preferência maduros, relacionamo-nos com as crianças e possibilitamos que vivam seu processo de crescimento de modo adequado e seguro. 

Estamos assumindo com determinação esse lugar de adultos? Estamos permitindo que as crianças vivam uma infância sadia? Que sejam verdadeiramente crianças?

Para podermos celebrar a infância, precisamos cuidar dela. Precisamos permitir que as crianças sejam crianças, assumindo nosso papel de adultos e responsáveis.

Tenho encontrado em meu cotidiano poucas crianças (entre zero e 11 anos) felizes, despreocupadas, sendo cuidadas como precisam e merecem.  Muitas miniaturas estão ditando ordens aos seus pais, sofrendo com coisas muito pequenas que nem sequer deveriam preocupá-las e escolhendo a respeito de assuntos que desconhecem... Que experiência angustiante para quem está em fase de ser cuidada!

Também tenho encontrado muitos adultos (acima de 26 anos), pouco preparados para cuidar, doar-se, suportar, formar... Pessoas ótimas, bem-intencionadas, amáveis, querendo acertar, porém, infelizmente, despreparadas para a vida, imaturas, que se desmancham diante da simples experiência de uma pequena frustração do filho. Como podemos ajudar os pequenos a chegarem ao máximo de seu potencial se estamos nos contentando em não alcançarmos nem sequer o nosso máximo? 

Sim, que excelente oportunidade o mês de outubro nos traz: vamos refletir seriamente sobre a infância, sobre a importância dessa etapa e sobre como estamos nos capacitando a ser os adultos que promovem uma infância feliz aos nossos pequenos. Eles merecem e precisam disso!

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