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  • Simone Fuzaro

Quarentena em família: o que podemos aprender com isso?

Esta semana, em decorrência de tudo o que estamos vivendo mundialmente, decidi interromper a sequência de artigos sobre os adolescentes e a internet, para uma reflexão muito pertinente e atual – a quarentena em família!

Independentemente dos motivos que nos levaram a essa quarentena e sem julgarmos a necessidade ou não dessa medida, gostaria de olhar somente para os fatos que estão sendo produzidos na vida da maioria das famílias ao redor do mundo e, especialmente, nas nossas!

De uma hora para outra, nossa rotina e nossa vida mudaram – fomos convocados a permanecer em casa, em família, sem contato com outras famílias, com os avós, com cooperadores, ou seja, quase todos nós estamos restritos a passar as 24 horas do dia em família ao longo de 15 dias.  Apesar de todas as dificuldades, essa pode ser uma experiência muitíssimo rica, eu diria imperdível!

Em primeiro lugar, o motivo que nos leva a estar em casa confinados é o cuidado com a saúde, com a vida dos que amamos. Estamos vivendo a oportunidade de perceber que somos pequenos, limitados e mortais. Apesar de tanta infraestrutura, de tanto conhecimento tecnológico, de tanta pesquisa e desenvolvimento da humanidade, somos absolutamente vulneráveis. Não podemos nos enganar diante da realidade que se apresenta nesta pandemia. Que experiência fantástica essa da vulnerabilidade – coloca-nos de frente com uma importante reflexão: o que valorizo na minha vida? Em meu cotidiano, consigo dar verdadeiro peso e importância ao que de fato é importante ou gasto tempo e energia com coisas supérfluas, com “batalhas” secundárias?  Que tempo dedico à minha família, tanto no que diz respeito à quantidade quanto à qualidade? Pois é, por menos que queiramos, a vida é passageira e, nela, somos passageiros e não comandantes – o tempo que temos é o hoje e o agora. O que fazemos desse tempo precioso? 

Estamos sendo obrigados a frear a vida, a mudar o ritmo, a olhar para dentro: dentro de nossas casas, dentro de nossas famílias, dentro de nós mesmos! Tempo rico para convivermos conosco e descobrirmos corajosamente quem somos – nossos medos, nossas forças, nosso potencial, nossas limitações e como podemos aproveitá-los para dar sentido à nossa vida e à dos que estão conosco. Tempo rico de prestarmos atenção nos outros – os cônjuges, cada um dos filhos... Como estão essas pessoas hoje, neste momento? Em que podemos ajudá-las? Cultivar a vida em família requer empenho, dedicação e doação. 

Amar pressupõe (re)conhecer, (re)apaixonar-se, (re)descobrir o outro a cada novo dia, pois todos mudamos.

Em primeiro lugar, o motivo que nos leva a estar em casa confinados é o cuidado com a saúde, com a vida dos que amamos. Estamos vivendo a oportunidade de perceber que somos pequenos, limitados e mortais.

Para ajudar nossos filhos a crescer, precisamos conhecer cada um deles, e isso somente é possível com o convívio diário. Como educar aqueles que pouco conheço, devido à pouca convivência? Vamos ser sinceros: quantos e quantos filhos acabam tendo contato maior com seus pais aos fins de semana, permanecendo com os avós ou nas creches a maior parte do tempo durante a semana? Quantos de nós precisamos pedir receitas na escola do filho, pois ele adora a comida que se serve lá?  Quantas vezes, acabamos, na correria imposta pelo trabalho e pela ascensão profissional e econômica, deixando em segundo plano essas crianças pelas quais somos absolutamente responsáveis, delegando-as aos cuidados das avós, professoras, babás... Trabalhar é necessário, em muitas situações uma questão de sobrevivência, porém, como estamos equilibrando o trabalho e o convívio familiar? 

Vivemos um tempo riquíssimo para crescer em resiliência; afinal, nenhum de nós pode fazer o que gostaria ou o que tinha planejado, não é mesmo? Tempo para aprender e ensinar que querer não é poder, que a frustração existe, se impõe a nós e precisamos suportá-la. Mais ainda, podemos crescer com ela! A vida está nos oferecendo um presente no meio de todo esse turbilhão – crescermos por dentro, tornarmo-nos melhores, mais fortes e muito, muito mais solidários!

Não vamos desperdiçar essa chance: vamos conviver por inteiro com os nossos, descobrir cada um com seus potenciais e limitações, amar e cuidar daquilo que realmente importa, do nosso mais precioso tesouro: nossa família!

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