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  • Simone Fuzaro

Fragilidade Infantil

Nos últimos anos surgiu com força a ideia da fragilidade infantil. Crianças que há algumas décadas eram tomadas como capazes de enfrentar desafios e amadurecer diante das dificuldades, hoje, são protegidas e cuidadas como se não fossem capazes de resistir à menor adversidade. São tratadas como "bebês" sem haver a sábia e necessária percepção de que podem enfrentar novos desafios a cada fase.

De onde vem essa ideia nociva, que está à serviço da formação de pessoas imaturas e despreparadas para a vida? Algo aconteceu com os pais para que privem compulsivamente os pequenos das situações corriqueiras de frustração, tão necessárias para que cresçam fortalecidos.

Podemos imaginar que essa ideia vem do amor: tomados pelo imenso amor que brota na ascensão à paternidade, olhando aquele pequeno ser, aparentemente frágil e dependente, se veem impelidos à protegê-lo de qualquer dificuldade ou incômodo, não poupando esforços para isso. De fato o amor que conhecemos ao nos tornarmos país é grandioso, não cabe no peito, transforma a vida. Como é bom amar! Porém, se assumirmos o amor como causa desse comportamento protetor estaremos dizendo que não amavam os filhos os pais de algumas décadas atrás.

Podemos supor que é o medo da perda - o pequeno pode sucumbir diante das dificuldades. Sentimento legítimo e parte integrante dos vínculos humanos. Proteger, porém, não significa garantir a sobrevida, ao contrário, protegendo tornamos os pequenos mais vulneráveis, incapazes de se proteger. O medo da perda é antigo, o que é próprio da modernidade é a "ilusão de controle", o não nos conformarmos com o que sai do previsto.

Talvez venha do sentimento de culpa tão presente nas famílias modernas. Ele brota da falta de tempo para o convívio, da correria, da falta de objetivos claros para educação dos filhos, para vida profissional, para conquistas materiais. Não podemos conhecer os potenciais, capacidades e limitações se não convivemos o suficiente. Não estamos livres para frustrar se nos sentimos em débito.

Muitos fatores concorrem para que as crianças ocupem o lugar de fragilidade. Acreditem, esse lugar não pertence à elas: são fortes, capazes de enfrentar desafios adequados à cada fase, de criarem na adversidade.

Que tipo de pessoas esperamos que nossos filhos sejam daqui 20 anos? Alcançar os objetivos demanda trabalho desde cedo. Se forem excessivamente protegidos quando pequenos, dificilmente serão autônomos, generosos, com caráter firme - distinguindo o certo do errado e lutando por superar seus erros e dificuldades!

Ouvi um conto que me disse muito: havia um homem que tinha por hobby plantar árvores. O vizinho que o observava, via que plantava várias mudas, porém, quase não as regava. Ficava curioso com esse comportamento. Mudou-se. Anos depois retornou à antiga casa e viu que no quintal do vizinho havia um bonito bosque com árvores frondosas. Quis matar sua curiosidade perguntando ao homem sobre o hábito de pouco aguar o que plantava e recebeu a seguinte explicação: se oferecesse muita água às pequenas mudas as raízes ficariam na superfície pois ali mesmo encontrariam o suficiente. Porém, oferecendo menos, proporcionava que as raízes se aprofundassem em busca de sanar todas as necessidades e desse modo obtinha como resultado árvores firmes, frondosas, que dificilmente se abalariam com uma tempestade qualquer.

Não estará em nós essa tal fragilidade?


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