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  • Simone Fuzaro

Formar família A importância de constituir o ‘nós’

Atualizado: 6 de Jul de 2020

Acompanhando famílias recém-constituídas, observo alguns comportamentos que me chamam a atenção. É comum que marido e mulher  mantenham rotinas intensas de trabalho e pouco tempo para o convívio diário, ou que encontrem dificuldades de abandonar hábitos adquiridos quando solteiros (uso do tempo livre, séries ou programas a que assistiam, aproveitamento do espaço físico disponível...). Às vezes, têm dificuldades de assumir rotinas independentes das que tinham nas casas dos pais (preparar as próprias refeições, lavar as próprias roupas, fazer as compras de mercado), além de tantos outros problemas. 



Parece-me que essa dinâmica se estabelece por falta de um preparo para a vida conjugal. Talvez um preparo prático, fruto de uma convivência familiar saudável, bem orientada, em que os pais se preocupem em conversar com os filhos jovens sobre o empenho e o trabalho necessários para que se constituam famílias equilibradas e felizes. Conversar, também, sobre os percalços e dificuldades que fazem parte desse processo, estimulando-os a enfrentar as situações com vontade e determinação, com o objetivo de vencê-las. Talvez falte um preparo formal, ou seja, que as pessoas aprendam que formar família não é algo espontâneo e natural, como se todos estivessem a priori prontos. Qualquer que seja a profissão que queiramos exercer, nós nos preparamos para ela. Estudamos, estagiamos e depois, sim – mãos na massa. Por que imaginamos que para algo tão grande como escolher alguém para partilhar a vida toda, dividir os desafios de educar filhos, cuidar e envelhecer juntos não é necessário preparo algum?

O fato é que a primeira etapa do casamento (os primeiros anos de convívio, a chegada do primeiro filho) é fundamental para uma vida conjugal saudável. Nela, deveríamos nos dedicar à constituição do “nós”. Nela, cada um dos esposos deixa de pensar no singular para pensar no plural. Já não deveríamos focar nos objetivos próprios, mas, sim, estabelecer os objetivos da família que está nascendo. Aqui, temos um ponto que considero crucial e ao qual quero dar o devido destaque: para constituir o “nós” não é preciso nos anularmos como pessoas. Ao contrário, somente as pessoas bem constituídas, bem resolvidas e determinadas conseguem sair de si mesmas em direção ao “nós”. Constituir o “nós” requer que cada um tenha conhecimento próprio, identifique seus valores fundamentais, tenha clareza da missão que está assumindo ao decidir, com liberdade, formar uma nova família e, mais ainda, exige coragem de assumir as consequências inerentes à vida em comum e de alçar novos e diferentes voos. 

Nessa etapa, são muitas as definições necessárias: prioridades para o novo núcleo familiar, valores que consideram importantes, projeto profissional que possibilite a saúde familiar, prioridades (aquilo que não deixarão de lado em hipótese alguma), necessidades, supérfluos (o que poderão abrir mão se for preciso).

Organizar a rotina básica da casa é um exercício importante na constituição do “nós”; afinal, possibilitará que se criem novos hábitos (próprios de pessoas casadas), que se aprenda a abrir mão de alguns costumes que não serão saudáveis nessa nova etapa, que se corte definitivamente o “cordão umbilical” em relação aos pais – assumindo as tarefas da nova vida, contando com alguma ajuda, mas não criando dependência desta.

Talvez falte um preparo formal, ou seja, que as pessoas aprendam que formar família não é algo espontâneo e natural, como se todos estivessem a priori prontos.

Quando o “nós” se constitui com mais clareza, os problemas que surgem tendem a ser resolvidos com maior harmonia, pois o casal já estabeleceu objetivos e critérios. Muitas circunstâncias difíceis e inesperadas ocorrerão, serão necessárias adaptações, mudanças nos planos, mas, certamente, a rota estará garantida. E como é mais fácil enfrentar dificuldades com alguém que luta ao nosso lado pelos mesmos objetivos! 

Quantos casamentos não passam do primeiro ano por falta de conhecimento da necessidade da constituição de um “nós”. O relacionamento “acaba” em pleno início. Porém, se os jovens não estiverem preparados para o que irão enfrentar, como imaginar que poderão se sair bem?

Em frente, pais! Vamos ajudar nossos filhos a formar família da maneira mais segura – mostrando o caminho das pedras e a alegria que pressupõe percorrê-lo de mãos dadas.

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