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  • Simone Fuzaro

Família: Lugar de Encontro

Família: bem maior, ninho de amor, recanto de descanso para as dificuldades da vida....



Apesar de serem verdadeiras essas possibilidades, sabemos também, que nem tudo é um mar de rosas na família. Muitas são as dificuldades cotidianas para a organização da rotina, para atender as necessidades de cada membro a cada nova fase, para orquestrar a harmonia entre diferentes temperamentos e manifestações. Na verdade, conviver é uma grande arte e não seria diferente no ambiente familiar.

Sendo o primeiro lugar que habitamos, a família é a maior oportunidade que temos de aprender sobre o convívio, sobre ser para o outro, ser com o outro, encontrar-se efetivamente com os outros. Se sabemos que somos pessoas únicas e irrepetíveis, como pensar a família sem vê-la como uma riqueza imensa? Nela cada um dos membros tem a possibilidade de conhecer-se e dar-se a conhecer num ambiente de amor incondicional. Nela vivenciaremos os primeiros afetos, experimentaremos os primeiros carinhos, receberemos as primeiras correções, sentiremo-nos protegidos. Quando os filhos ainda bebes, são aconchegados nos braços dos pais, o vínculo, o afeto, a dinâmica do convívio parece estar mais garantida. Conforme vão crescendo, formando a própria personalidade, aprendendo a manifestar seus desejos e sentimentos, vão se constituindo como sujeitos, muitas vezes, observo os pais inseguros e sem saber como manter-se na relação com eles.

Lembrem-se: pais serão sempre presença fundamental e vínculo gerador na vida dos filhos, por mais que as manifestações externas não “digam” necessariamente isso. Conforme eles vão crescendo e exercitando o “estabelecer-se” como pessoas, mais importância ganha a postura de ouvir, de querer conhecer e compreender o que está passando na cabeça e no coração do filho. Sentir-se ouvido é fundamental para o adolescente. Ouvir, não significa concordar com tudo ou apoiar ideias e atitudes que aos olhos mais experientes dos pais podem ser desastrosas. Mas ouvir significa escutar até o fim o que eles tem a dizer, procurar compreender tais ideias, e, com sabedoria, promover reflexão, buscar um sentido ou iluminar a falta do mesmo. Afetar-se significa, mesmo com os filhos maiores, estabelecer limites com clareza e carinho e leva-los a perceber que se trata de um modo de protege-los, de amá-los.

O encontro também pressupõe dar-se a conhecer. Contar para os filhos as experiencias, compartilhar sentimentos, preocupações e sonhos constrói pontes, engaja, promove reflexão. Contar uma experiencia que deu certo é fabuloso, porém é muito rico compartilhar também os erros, as dificuldades que viveram na juventude, as quedas e como levantaram. Nessa fase da vida, eles precisam se sentir parte, reforçar o sentido de pertença, identificarem-se e, que bom, se fizerem isso dentro de casa, na segurança do lar. É um grande conforto saber que o pai que é uma referência, também já deu “suas cabeçadas” e encontrou saídas.

Dizer não aos filhos é sempre uma tarefa difícil, que traz dúvidas, porém, estejam certos: quando se trata de algo bem pensado, conversado e sabiamente decidido, fará sentido e gerará conforto apesar do descontentamento. Soará no coração do adolescente: alguém cuida de mim! E, que delícia é sentir-se cuidado, não é mesmo? Reclamar, chorar, dramatizar, faz parte da adolescência, mas como tudo, passa e fica gravada no coração a mensagem de amor que esse cuidado trás.

Família, lugar de encontro, de transformação, de formação, de oportunidades, mas para isso é preciso empenho, é preciso estar inteiro nas relações com os demais, é preciso sair de si e promover encontros genuínos – esses sim, geram os mais belos frutos!


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