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  • Simone Fuzaro

Adolescentes e internet: um grande desafio educativo

É um fato que não podemos negar: nossos adolescentes estão conectados o tempo todo à realidade virtual que os rodeia, sendo esta inerente à vida pós-moderna. Essa realidade certamente não pode nem deve ser mudada; afinal, faz parte da evolução e da conquista humanas, trazendo  inúmeros e inegáveis benefícios.

O que precisamos, porém, é acompanhar o modo como as crianças e adolescentes estão sendo introduzidos nesse mundo virtual. Conhecer os riscos, as possibilidades e lembrar que se trata de pessoas em formação e, por isso mesmo, necessitam de orientação e supervisão para usar essa “janela para o mundo”. Isso mesmo: “janela para o mundo”. Com um simples toque, estamos diante de notícias (às vezes confiáveis, às vezes não), vídeos, músicas, filmes, séries, redes sociais (munidas das mais diversas informações), salas de relacionamento, shows e outras tantas possibilidades.  O que antes demoraríamos muito para tomar contato, está ofertado à distância de um toque na tela de um pequeno celular. Todo conteúdo traz consigo valores, condutas, tendências que marcam a vida dos adolescentes, que passam a fazer parte de sua história, sua biografia. Nós, pais, somos responsáveis por isso. Portanto, precisamos nos colocar o desafio de compreender, acompanhar e orientar esse manejo de perto.

" Todo conteúdo traz consigo valores, condutas, tendências que marcam a vida dos adolescentes, que passam a fazer parte de sua história, sua biografia ".

O que mais temos encontrado como consequências desse uso quase sempre desregrado e pouco supervisionado são: • Aumento do sedentarismo e obesidade, tanto na infância quanto na adolescência; • Dificuldades de atenção e foco em atividades escolares, de leitura, de elaboração intelectual, uma vez que se tornam dependentes da rapidez e dinamismo que a internet oferece; • Dificuldade de relacionamento pessoal em casa ou em outros ambientes devido ao uso constante do celular; • Publicação de informações privadas (alto nível de exposição), sem que haja consciência dos riscos que isso envolve: comprometer a imagem pessoal, abrir oportunidade ao bullying (cyberbullying), dificuldades de encontrar trabalho ou estágio em decorrência da publicação de conteúdos inadequados etc. • Exposição a conteúdos inapropriados, uma vez que, com extrema facilidade, os adolescentes acessam sites, vídeos e informações que, além de serem, muitas vezes, impróprios à idade ou à circunstância que estão vivendo, ainda são oferecidos a partir de valores diferentes daqueles que recebem em casa. Tomados por esses conteúdos, os adolescentes acabam assumindo posturas extremamente sensualizadas, feministas, machistas, neonazistas, naturalistas, consumistas, debochadas... O pior: compartilham conteúdos absurdos por se dizerem “livres”. Sem consciência, porém, não há liberdade! • Exploração sexual de adolescentes na internet, sendo cada vez mais comum a abordagem de desconhecidos, criando uma imagem diferente da real e gerando complicações que vão desde encontros pessoais perigosíssimos até a produção de imagens íntimas do menor para exploração e chantagem.  Essa realidade nova e dinâmica tem tirado o sossego dos pais, que muitas vezes se veem absolutamente perdidos na orientação dos filhos quanto à internet. Surgem questões como: proibir o acesso resolve, se eles terão oportunidades longe de nossos olhos? Instalar filtros realmente garante que eles não acessem conteúdos inadequados? Devo deixar ou não que meu filho, menor de 18 anos, tenha conta no Instagram? Como acompanhar o que eles vêm aprendendo na internet? Essas e outras preocupações passaram a fazer parte do cotidiano dos pais e são realmente desafios.  Vamos dedicar alguns artigos para pensarmos sobre esse tema tão importante e polêmico que temos que enfrentar com coragem, queiramos ou não!

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