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  • Simone Fuzaro

Educar os filhos: o que move suas ações?

Transformarmo-nos em pais e mães é algo profundo e inexplicável!

Nascemos filhos, vivemos como filhos e sempre seremos filhos – essa é uma condição inerente à pessoa. Afinal, não seria possível a vida se não a recebêssemos de nossos pais.

Já assumir o papel de pais é uma transformação subjetiva de 180 graus. Passamos da posição de “receber” a vida à de “dar”, da posição de “ser cuidado” para a de “cuidar”, de “ser protegido” à de “proteger”.

Trata-se de uma mudança que implica assumirmos, como responsabilidade e missão, ajudar um pequeno ser a transformar-se numa pessoa adulta, capaz de caminhar e viver com suas próprias pernas. Será que estamos todos conscientes disso? Será que levamos em conta que nossas palavras e atitudes marcarão a vida dos nossos filhos?

Como toda transformação humana, isso não acontece de modo mágico e automático, exige aprendizagem, autoconhecimento e vontade. É importante saber que cada um de nós traz para o seu papel de pai e mãe sua história, seus sentimentos, suas capacidades, limitações, experiências, fantasias, desejos, medos, e que é preciso nos conhecermos e nos questionarmos continuamente para podermos exercer esse papel do melhor modo possível.


Uma reflexão importante a ser feita por nós, para avaliarmos se nossas ações estão sendo adequadas ao crescimento equilibrado dos nossos filhos, é a de identificarmos o porquê tomamos esta ou aquela atitude. Por exemplo: o que me leva a justificar ao professor do meu filho uma lição de casa não apresentada por ele? Será evitar que ele sofra as consequências combinadas para essa atitude? Será evitar que o professor pense que sou um pai negligente e desatento? Será para me livrar da culpa de estar trabalhando muito e não ter conseguido dar a atenção necessária a esse compromisso? Qual é o motor dessa atitude? O medo de perder o amor do meu filho, o medo de que ele fique “traumatizado” com a frustração (vergonha e consequências inerentes ao ato)? Bem, nenhum desses motores gerará uma ação saudável para a aprendizagem e crescimento da criança. Todas as ações, ao contrário, estarão a serviço de uma atitude super protetora e, portanto, nociva. O medo, o controle, a culpa não são bons conselheiros no que diz respeito à educação.

Trata-se de uma mudança que implica assumirmos, como responsabilidade e missão, ajudar um pequeno ser a transformar-se numa pessoa adulta, capaz de caminhar e viver com suas próprias pernas.

O que certamente nos moverá a atitudes mais adequadas é o desejo de promover o bem dos nossos filhos. O motor de ações educativas frutuosas é o desejo de transmitir valores, de ensinar virtudes, de adquirir capacidades, autonomia; um motor eficientíssimo é o desejo de cuidar. Cuidar, para além de qualquer fantasia que possamos ter a respeito, é permitir que os filhos passem por experiências, que se frustrem, que sofram com isso, permanecendo ao lado para dar suporte, para acompanhá-los nessa vivência que os fará mais fortes, que suscitará que cresçam em auto- -estima – que no fundo está intimamente relacionada à experiência de sobreviver à frustração e sair dela vencedor. Cuidar é para os fortes, para os que aprenderam que as dificuldades são inerentes à vida, que não é a ausência delas que promove a felicidade, mas, sim, a capacidade de superá-las. Para os que suportam com o coração apertado, é preciso ver o filho sofrer a consequência de sua atitude errada na certeza de que, com isso, ele crescerá. Cuidar assim é árduo, é trabalhoso, mas extremamente eficaz!

Vamos identificar com coragem que motores têm impulsionado nossas ações e, com uma vontade forte, escolher os mais adequados. Vale a pena!

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