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  • Simone Fuzaro

Educar nas Virtudes - Preparando o Terreno

Algumas filosofias modernas e estudos psicológicos levaram a crer que a educação nas virtudes estava vinculada a falta de liberdade, de espontaneidade, a traumas e repressão.



Hoje já podemos perceber as consequências práticas desse processo educativo baseado na "espontaneidade" e na realização dos desejos: temos muitos jovens escravizados pelos desejos irracionais, pelos instintos. Normalmente não se motivam a lutar por valores mais sólidos e que visem o bem comum, sentem-se facilmente deprimidos, mostram-se agressivos e tendem a desrespeitar os demais. São imaturos e agem motivados por uma afetividade desordenada.

Segundo João Malheiros (*), "quem não foi educado nos bons hábitos de escolha (virtude) só terá uma liberdade aparente. Nossos vícios de preguiça, vaidade, egoísmo nos impedem de ver as coisas como realmente são e fazem com que certos aspectos nos pareçam tão atrativos que prevaleçam sobre outros de maior valor objetivo (...) Para ser autenticamente livre, o querer da nossa vontade deve proceder de um juízo correto sobre a realidade e se esforçar para que não seja desfigurado pelas próprias paixões." Para ele "para que as escolhas sejam boas, é necessário um critério bem formado e interiorizado".

Se queremos pessoas lúcidas e uma sociedade mais equilibrada é necessário educar as crianças para que adquiram virtudes, para que formem critérios sólidos que vão nortear suas escolhas e atitudes.

Inicio, então, uma pequena série de artigos que nos ajudarão a refletir sobre a aquisição de virtudes no cotidiano da criança.

Neste, quero falar um pouco sobre "preparar o terreno". Assim como no plantio é importante o preparo da terra, no processo educativo também precisamos preparar o ambiente e o coração para alcançarmos os objetivos.

Em primeiro lugar é preciso ter clareza de que o que se espera é uma criança. Um pequeno ser humano, potencialmente capaz de muito, porém, ainda sem nenhuma possibilidade de viver sozinho e de fazer escolhas. Será uma pessoa com qualidades e limitações como todos nós. Precisaremos nutrir física e emocionalmente esse pequeno que só se transformará em um sujeito com nossa ajuda e intervenção. Precisamos dedicar tempo e trabalho para isso.

No convívio com o bebê, precisamos ter em mente, que um excelente modo de preparar esse terreno é ir aos poucos, com tranquilidade, ensinando-os a esperar. Embora seja um grande alívio e alegria atendermos ao desejo dos pequenos rapidamente e podermos vê-los sorrindo satisfeitos, isso não é o melhor. Esperar um pouquinho pelo leite, não conseguir o objeto que apontou, aguentar por uns minutos o desconforto do calor ou da fralda molhada, são pequeninos "desafios" que vão enriquecendo o terreno, preparando-o para a virtude da paciência, da fortaleza. É preciso que saibam o que é fome, o que é sede, o que é dor. Já paramos para refletir sobre como temos oferecido sucedâneos às crianças evitando que sintam os desconfortos da vida? Os remédios são "gostosos", os restaurantes, supermercados tem brinquedos apropriados, os carros tem tablets - nada de espera e desconforto. Na verdade nós pais, não suportamos mais o choro de desconforto dos pequenos, não aguentamos esperar que reajam à frustração e a elaborem. Como poderão criar soluções se não vivenciaram o problema? Como poderão depois adquirir virtudes e lidar de modo positivo quando as adversidades que surgirem?

(*) - doutor em educação pela UFRJ


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