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  • Simone Fuzaro

E essa necessidade de popularidade?

Desde sempre, existe no ser humano certa necessidade de aprovação. Quando pequenos, sentimo-nos confortáveis por sermos queridos, acolhidos e validados pelos pais. Como é gostoso “agir bem” e ser elogiado!

A aprovação alegra, estimula, impulsiona, aumenta a autoestima, ajuda a pessoa a se esforçar para dar o seu melhor. Essa aprovação, porém, precisa fazer sentido: em primeiro lugar é importante que seja de alguém significativo na vida da pessoa (pai, mãe, alguém que se admira, que representa um papel importante); em segundo lugar, precisa ser legítima, ou seja, verdadeira. Aquilo que se aprova deve ser digno de aprovação, senão o sentimento mais profundo é de vazio, pois, no íntimo, temos uma noção clara de quando agimos bem ou mal.

Se o resultado não for tão bom, a aprovação pode ser dada ao esforço, à tentativa.  Essa aprovação está absolutamente vinculada e comprometida com o processo de crescimento da pessoa, seja criança, seja adulto. Na adolescência, é natural ao processo de crescimento buscar certa popularidade e, se os valores não ficaram bem fundamentados na infância ou mesmo se o vínculo familiar sofreu danos mais sérios, podem acontecer alguns desvios de comportamento importantes nessa etapa. Senão, haverá somente alguns “experimentos” próprios da fase, que, com o tempo, tendem a passar e deixar frutos positivos.

O fenômeno que se observa hoje, no entanto, não guarda relação com esse descrito acima.  Com o advento das redes sociais, das postagens instantâneas, observa-se uma crescente necessidade de popularidade instantânea por parte de adolescentes e até mesmo dos adultos.  Parece que estamos diante de uma realidade de carência grande: tudo precisa ser mostrado, tudo precisa ser “curtido” e apreciado por muitos. Não creio que essa necessidade de popularidade esteja somente associada às redes sociais; afinal, elas não somente promovem reações como também refletem ações. Talvez essa necessidade esteja também fundamentada em autoestimas mal construídas, em vínculos primários mal constituídos, em pouca reflexão e pouco estímulo ao autoconhecimento.

erá que há uma ilusão de que somos mais ou melhores quanto mais populares somos? De que estamos agindo mais corretamente quanto mais pessoas aplaudem nossas ações? De que agradar aos demais determine o bem que fizermos ou deixamos de fazer?

Geralmente, este é um ledo engano! O bem que fazemos, a atitude reta que temos, a princípio nem sempre são muito populares. É preciso convicção e boa formação para agir apesar da falta de popularidade. É preciso firme propósito e sentido de objetivo: o resultado que ambiciono é bom, vale “perder” a popularidade por ele! Importante lembrarmos, também, que essa perda de popularidade, normalmente, é passageira. Ao término do processo, quando os bons resultados aparecem, se entende e se valoriza a ação.

Pensando na educação dos filhos, gostaria de lembrar: “Ser pai e mãe é renunciar à popularidade”.  Sim, queridos pais, precisamos de muita maturidade e fortaleza para passarmos por momentos em que nossos filhos mostram e dizem não gostar mais de nós, não é mesmo?

Também para suportarmos as birras e os pequenos sofrimentos que surgem de nossas ações impopulares. O fruto, a longo prazo, porém, é maravilhoso. Basta que lembremos que as maiores conquistas são vagarosas, exigem constância, determinação e objetivos claros.

Popularidade sempre? Repense, reveja, busque mais formação e amadurecimento... Agora: pais populares sempre? Cuidado, perigo à vista!!




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