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  • Simone Fuzaro

De Igual Para Igual? Reflexões Sobre a Autoridade

Educar filhos é uma missão complicada não é mesmo? Cuidar dos pequenos, da casa, trabalhar e manter o convívio social em dia parece uma tarefa impossível. Chegar em casa e organizar rotinas - banho, comida e lidar com os conflitos que são gerados nesses momentos se torna, para muitos, um fardo bastante pesado. O que costuma pesar nessa hora é o descontentamento dos pequenos. Como é difícil lidar com conflitos, choros, berreiros e suportá-los heroicamente. Surge o medo de errar, de traumatizar e não ser querido pelos filhos - quantas inseguranças rondam as mentes dos pais modernos!



Alguns simplesmente se arrepiam de terem uma imagem autoritária diante dos pequenos, como eles próprios tiveram de seus pais. Essa tarefa ainda se torna mais difícil quando os pais experimentaram uma educação verdadeiramente autoritária, de um "mandonismo arbitrário", sem sentido. Desses medos e experiências surge uma geração de pais "amiguinhos" dos filhos, que evitam confrontos e acabam caindo num campo perigosíssimo: o de relacionar-se de igual para igual com eles. É mais moderno e tranquilo combinar e explicar tudo, evitar conflitos e reações de raiva das crianças, evitar que façam aquilo que não desejam. Não podemos esquecer porém, que na frustração e no conflito é que os filhos crescem, e, ao abdicarmos do papel de autoridade diante deles, estamos nos omitindo daquilo que somente nós poderemos fazer por eles: transformá-los em sujeitos seguros, com boa auto estima e capacitados a ter afeto e desejar a autonomia.

Mais do que isso, para cuidarmos bem de nossos pequenos vamos, com certeza, promover os mais diversos sentimentos: alegria, prazer, desconforto, cansaço, frustração e até mesmo raiva. Sim, somos os causadores dos sentimentos bem vindos e também daqueles que gostaríamos de evitar, porém, como os amamos e queremos o verdadeiro bem não devemos fazê-lo. No trato de iguais com os filhos, falta segurança e coragem de tomar decisões, de assumir riscos, pois errar faz parte do caminho. Não há problema em errar, o importante é perceber o erro e re-alinhar a rota.

Precisamos distinguir com clareza a diferença entre pais mandões, autoritários e pais que cuidam, que exercem o serviço da autoridade. Os primeiros decidem à sombra do bom ou mau humor o que deve ser feito, como deve ser feito, criticando, proibindo, obrigando, julgando e punindo sem um sentido que vá para além da vontade deles. Já os pais que realmente cuidam, estabelecem limites e exigências em nome de uma lei clara: a da preservação e estimulação da vida com todos os seus predicados - saúde, felicidade, equilíbrio, lucidez.

Pais que cuidam exercem a autoridade em benefício dos filhos simplesmente dizendo um não claro quando querem algo que não convém, seguram nos braços o que se põe em situação de risco, suportam o choro e reclamação sem culpa, dialogam com os pequenos sem muitas palavras mas com muitas atitudes, o afeto se faz presente através do corpo, linguagem muito mais eficaz para as crianças. O limite e o afeto podem ser demonstrados até em silêncio. Para Ivan Capelatto, psicólogo infantil, "Não assumir essa função é desrespeitar seus direitos de serem crianças. Combinar regrinhas com os filhos (pequenos) é fazê-los assumir responsabilidades para as quais não estão preparados", por isso a importância de assumirmos nosso papel de pais com todo os ônus, bônus e responsabilidades que ele implica. De igual para igual? Jamais.


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