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  • Simone Fuzaro

Criando em Tempo de Crise

Criar, sempre importante em nossa vida! Criar saídas, criar soluções, transformar, melhorar, mudar. Especialmente quando nos dedicamos a "criar filhos", a preparar para a vida esses pequenos seres que foram confiados à nós.



Não gostamos de privações, não as buscamos. Ao contrário, lutamos por um certo conforto e por facilidades. Quanto aos filhos, muito embora, até saibamos que o ideal é que não sejam atendidos sempre, que não tenham tudo o que querem, que não sejam movidos por desejos realizados facilmente, na maioria das vezes, não resistimos e acabamos oferecendo muito mais do que o necessário.

Em tempos de crise, porém, isso acaba se fazendo de certo modo impossível: faz-se necessário diminuir confortos, conter despesas, cortar supérfluos.

Os convido a ver as grandes vantagens que essa situação, à princípio adversa, pode trazer para o processo de aprendizagem e amadurecimento de nossos pequenos e, surpreendam-se: para cada um de nós.

Quando não temos muito, normalmente nos damos conta do essencial.

Sendo assim, em primeiro lugar, essa situação nos possibilita refletir melhor sobre o que é essencial para nossa família? O que nos torna família, o que nos faz verdadeiramente felizes, o que é indispensável para estarmos bem? Festas elaboradas, brinquedos caros e inúmeros, eletrônicos do último modelo? O essencial não está muito mais ligado ao campo dos afetos, das relações, da possibilidade de nos darmos uns aos outros em companhia, carinho, alegria, convivência? A necessidade sempre impulsiona a criatividade: se não temos monitores, inventamos as brincadeiras; se não podemos viajar, criamos piqueniques inesquecíveis; se não podemos oferecer uma festa fazemos uma tarde de celebração com os melhores amigos; se não temos empregada dividimos as tarefas e aprendemos a cooperar: sujar menos, cuidar mais, ajudar na organização. Lembro-me de uma tia, em minha infância, que promovia em sua casa a noite sem "eletrônicos", nada de TV, video, som.... Naquela noite todos conversavam bastante, brincavam de forca, de cartas, algum jogo de tabuleiro e se divertiam uns com os outros! É isso: o essencial é simples.

Que grandes exemplos de alegria, generosidade, desprendimento e solidariedade podemos dar aos nossos filhos se enfrentarmos com otimismo e criatividade esses tempos de crise. Que belíssima oportunidade de perceberem que não serão mais felizes por terem este ou aquele objeto caro tão desejado. Que a felicidade está para além do ter, está no ser e, sermos uns para os outros nos torna ainda mais felizes.

A verdade é que, quando os recursos são mais fartos, dificilmente dizemos não aos pequenos, normalmente cedemos aos desejos, gastamos pequenas fortunas em objetos que serão pouquíssimo usados e ficarão logo em segundo plano. Agora, com recursos mais restritos, somos praticamente obrigados a frustrá-los. Façamos isso com otimismo: como amadurece e prepara para a vida a consciência de que não temos e nem podemos tudo o que queremos. Melhor ainda: como nos fortalece a vivência de que sobrevivemos (e muito bem) às frustrações.


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