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  • Simone Fuzaro

Covid-19 – Se um ser tão pequeno pode tanto, o que podemos cada um de nós?

Literalmente, o mundo parou! Grandes capitais sem movimento, comércio parado, transportes reduzidos, ruas vazias. Pessoas com medo, impedidas de manifestações físicas de carinho, de companheirismo. Poluição diminuída, trânsito tranquilo, silêncio grande. Não estávamos mais acostumados!

Salários reduzidos, empregos perdidos, pratos vazios. Revisão de valores, de conceitos, de rotinas. (Re) descobertas cotidianas – o valor da vida, da família, do convívio, da companhia, do abraço, da presença!

Incrível vermos quanta mudança provocou um pequeno ser, invisível a olhos nus, na vida de bilhões de pessoas! Se um pequeno ser invisível tem tamanho poder, o que podemos cada um de nós?

Parece-me que a natureza e as circunstâncias são favoráveis a que nos demos conta do quanto temos sido omissos ou, talvez, simplesmente alienados sobre a nossa possibilidade de ser.

É verdade que esse pequeno vírus nos amedronta e nos leva a mudanças bruscas, porque nos apresenta a morte, nos apresenta um limite – o limite da vida. Como disse o sacerdote Raniero Cantalamessa, essa pandemia nos despertou do “delírio de onipotência”.

Vivíamos enganados, acreditando que nada nos atingiria fatalmente e, apesar de todo o conhecimento tecnológico e médico, fomos surpreendidos absolutamente por nossa vulnerabilidade”.


Ouso dizer que, se cada um de nós descobrisse a sua capacidade de fazer o bem, de cuidar dos outros, de se esquecer de si e servir aos que mais necessitam, também alcançaríamos mudanças incríveis no nosso mundo e na nossa rotina.

É verdade que se percebêssemos a alegria contida em coisas tão simples e pequenas – como fazer sorrir os que amamos, comer algo gostoso que foi feito especialmente para nós, fazer algo que o outro gosta, mesmo que custe um pouco de sacrifício, ver o crescimento dos filhos, o qual se dá nos pequenos gestos de doação e convívio genuíno com os pais, assistir a um filme em família, passear num parque –, descomplicaríamos a vida e tornaríamos o mundo mais feliz, mais humano e mais amável.

Vejamos quantos gestos bonitos e altruístas essa pandemia tem proporcionado! Não é verdade que cada um de nós conhece alguém que está promovendo um bem anônimo aos que mais precisam por estarem com a saúde debilitada ou por terem menos condições financeiras de enfrentar essa crise? Por estarem precisando de um abraço ou de uma companhia? Não conhecemos pessoas que deixam de pensar em si mesmas, às vezes colocando a própria vida em risco, quando percebem que o bem realizado pode ser mais necessário neste momento? Nós, cristãos, não temos um exemplo maravilhoso disso? Cristo entregou a vida pelo bem da humanidade.

Quanto carinho e amor chegam por um prato de comida, um telefonema, uma chamada de vídeo, um atendimento médico zeloso, uma oração, doações materiais, doações afetivas e espirituais?! Podemos fazer o bem! Para isso, no entanto, precisamos nos colocar um limite: o limite ao prazer, à vida cômoda, à realização de desejos egoístas e fugazes! Precisamos sair do centro e lembrar que o mundo é melhor, mais bonito e mais feliz quando vivemos o bem comum e não o benefício próprio.

Parece-me que a natureza e as circunstâncias são favoráveis a que nos demos conta do quanto temos sido omissos ou, talvez, simplesmente alienados sobre a nossa possibilidade de ser.

Não seria melhor nos colocarmos tais limites e vivermos com grandeza e intensidade nossa vida, fazendo o bem, enquanto dure? Porque um dia ela acabará. Esse é um limite que não podemos negar, embora muitos estejam absolutamente surpresos em descobrir o quanto a vida é vulnerável!

A vida é um grande dom, um presente maravilhoso que será muito bem “usufruído” se for acolhido com a consciência da grandeza que traz consigo – cada vida é uma criação nova, um novo modo de ver o mundo, de fazer o bem, de criar, de marcar este planeta a partir das pequenas relações que estabelece com os que a rodeiam.

Creio que este é mais um dos benefícios que o invisível coronavírus pode trazer para nós: percebermos que podemos muito, mas estamos acomodados em nossa onipotência. Percebermos que da nossa disposição dependem o bem e a mudança que o mundo precisa, mas que a primeira das mudanças tem de ser interna, pois é necessário mudarmos o foco – sairmos do centro e nos colocar a serviço do outro nesse lugar. Que alegria vivem os que conseguem perceber assim! Fácil não é; ao contrário, é árduo. Mas não existe felicidade mais genuína do que a que brota da superação de si mesmo em busca de um bem maior. 

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