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  • Simone Fuzaro

A Força da Palavra dos Pai- Parte 2

Atualizado: 21 de Jul de 2020

No último artigo falávamos sobre a importância dos pais se apropriarem do valor formativo e fundamental que tem suas palavras e sua conduta na vida dos filhos.


Os filhos, ao nascerem, têm na mãe, uma fonte de segurança e nutrição física e psíquica. Aliás, na verdade, são como que prolongamentos da mãe, não percebendo ainda onde terminam e ela começa. Vão aos poucos se diferenciando e se constituindo como sujeitos. Sendo assim, o vínculo de dependência/confiança é enorme. Após os primeiros meses, com o convívio, o pai vai ganhando também um lugar privilegiado na relação com o bebê. O pequeno reconhece sua voz, acalma-se também em sua companhia e, junto com a mãe, torna-se o porto seguro da criança.

Nesse lugar, os pais são referência forte para os pequenos. Eles choram, manifestam raiva, resistem, transgridem os limites estabelecidos - até mesmo porque é assim que reage a criança à frustração uma vez que ainda encontra-se imatura do ponto de vista neurológico e psíquico. Porém, independente da reação, sentem-se amados e percebem na atitude dos pais o "bem".

O que vem acontecendo com bastante frequência, na verdade, é que nós, pais, temos descuidado do vínculo com os pequenos.

Porém, independente da reação, sentem-se amados e percebem na atitude dos pais o "bem".

As circunstâncias da vida: trabalho, cursos, compromissos sociais, academia, tem promovido um esvaziamento do convívio familiar. As crianças ficam, frequentemente, aos cuidados de avós, escolas, babás e etc. Veem os pais alguns minutos pela manhã e outros à noite. Esses, por sua vez, apressados ou mesmo já cansados, acabam não conseguindo se entregar e envolver verdadeiramente com elas - brincar, ouvir, mostrar com atitudes o valor e importância que tem. Às vezes, culpados pelo pouco convívio, cedem a tudo que os filhos querem, mimando-os e agradando-os, o que, porém, não reflete cuidado, envolvimento e amor. No turbilhão de atividades e compromissos, os cuidados com a criança ficam delegados a outros, que, por vezes, vão tomando lugar preferencial na relação com os pequenos.

Para que a palavra dos pais continue sendo referência para os filhos por muito tempo há que se cultivar o vínculo, há que se conquistar o coração do filho e estar no coração dele. Essa conquista é exigente: não acontece com poucos minutos de convívio diário e nem com agrados e permissividade. Para amar é preciso conhecer, gastar tempo, perceber as necessidades, cuidar. O filho se sente amado quando os pais dedicam tempo e atenção à ele, quando estabelecem limites, quando são exigentes, quando preparam uma comida gostosa, quando se dedicam ao convívio familiar - quando mostram com gestos que estar em família é importante.

Quando os vínculos familiares enfraquecem, acontece um fenômeno chamado pelo médico Gabor Maté e o psicólogo Gordon Nelfeld "educação por pares", ou seja, a influência de colegas, ícones jovens e primos se tornam mais determinantes do que os modelos oferecidos pelos adultos. Esse é um grande "fantasma" que assombra os pais - temem as companhias e influências que estas possam causar. Mas, não esqueçam, está nas mãos de vocês ser a referência fundamental de seus filhos - basta cuidar e fortalecer o vínculo, conquistar o coração deles e transmitir valores no convívio. Esses valores estarão impressos no coração dos pequenos e, mesmo durante a fase turbulenta da adolescência, saberão de onde vieram e para onde sempre podem voltar com os corações abertos - os pais, a família.


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