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  • Simone Fuzaro

A Corajosa Arte de Conhecer-se

Hoje temos um imenso privilégio: conhecemos muito sem sequer sair de casa. Temos, graças à internet, possibilidades inúmeras de saber com rapidez o que acontece nas mais diferentes partes do mundo, modos de visualizar lugares que gostaríamos de visitar, acesso à filmes, pesquisas, publicações. Nunca houve tamanho acesso a todo tipo de informação e produção científica. Com uma simples pesquisa no "Dr. Google" todos sentem-se quase "especialistas" nos mais diversos assuntos. Tornou-se razoavelmente fácil conhecer, ao menos superficialmente, muita coisa.



Estamos imersos numa enorme gama de informações desde cedo até a hora de dormir. Dificilmente estamos sós, há sempre uma companhia mesmo que "virtual".

Cresceu proporcionalmente a dificuldade de estarmos conosco mesmos - esse sim, grande e antigo desafio. Mesmo em épocas onde a possibilidade de silêncio e introspecção era maior, poucos eram os que se dedicavam à corajosa tarefa de conhecer-se.

É uma aventura das mais radicais, exige coragem de olharmos querendo enxergar, clareza de nomearmos o que estamos sentindo e humildade de percebermos que somos como a maioria: temos muitos dons e habilidades e também algumas limitações. O mais comum é percebermos com facilidade e rapidez as habilidades, os acertos e atribuirmos aos outros os fracassos. É comum entre o casal um responsabilizar ao outro por uma atitude que teve.

De quem é a "culpa"? Pergunta capciosa que quase sempre está nas entrelinhas das discussões : fiz isso porque você fez aquilo, sou assim porque você é "assado", isso aconteceu porque você .... E deste modo, muitos passam a vida sem olharem para si e perguntarem "e eu"? O que fiz ou poderia ter feito, porque fiz ou deixei de fazer, como fiz e que "mensagem" transmiti com minha atitude, que sentimento me levou a essa re/ação?

Não conseguiremos melhorar como pessoas se não nos conhecermos. O primeiro passo para podermos estabelecer relações saudáveis e frutuosas precisa ser para dentro de nós mesmos. Há um universo dentro de cada ser. Agimos e reagimos a partir de sentimentos, experiências de vida positivas e negativas, aprendizados conscientes e inconscientes, de traços de personalidade e temperamento. Muitas das nossas ações e sentimentos nos agradam e muitas com certeza, nem tanto. Porém, o primeiro passo para podermos mudá-las, para sermos melhores e vivermos de modo mais livre é conhecermos corajosamente quem somos.

Será que temos silêncio externo e interno suficiente para nos encontrarmos conosco? É preciso encontrar esse tempo. Tempo de pensar, de nomear os sentimentos, as ações que eles nos "aconselham", os conselhos que seguimos, os que negamos, e buscarmos compreender com mais profundidade como lidarmos conosco. Como controlarmos uma determinada atitude que não convém ao ambiente em que vivemos ou ao menos sabermos pedir perdão por ela.

Quando nos conhecemos melhor aprendemos a ser mais tolerantes com os outros, quando sabemos de nossas limitações, aceitamos melhor as dos demais e aprendemos a nos retratar e perdoar a nós e aos outros. Conviver é uma arte. Conhecer-nos é ter as mais belas cores e com elas poder criar maravilhas na arte do convívio.


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